1 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 # 03 Abril Abril | April 2026 O elo invisível entre pessoas e negócios Salud Mental El vínculo invisible entre personas y negocios Mental Health The invisible link between people and business
22 Edição 03 ABRIL 2026 Matéria de Capa é uma publicação trimestral do Jornal da Comunicação Corporativa, trazendo reportagem especial sobre tema da atualidade, com impacto nas corporações e reflexos na sociedade. Equipe de conteúdo Larissa Sugiyama e Carina Rodrigues Produção Podcast Larissa Sugiyama, Carina Rodrigues e Davi Pesquero Produção gráfica Ponto & Letra Editor de arte Nilson Santos Ilustrações Adobe Stock® , Freepik® Editor responsável Marco Antonio Rossi Edição digital virapagina.com.br Mega Brasil Comunicação é uma empresa multiplataforma responsável pela produção de conteúdo para o Jornal da Comunicação Corporativa, Rádio/TV Mega Brasil Online e newsletter Direto da Redação. Edita o Anuário da Comunicação Corporativa e os especiais do Dia da Comunicação Empresarial. Organiza o Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, o Seminário Mega Brasil de Comunicação Interna e Relacionamento com Empregados, e participa da organização e produção do Prêmio Latino-americano de Excelência e Inovação em PR, o troféu Jatobá PR. Mega Brasil Comunicação es una empresa multiplataforma responsable de la producción de contenido para el Jornal da Comunicação Corporativa, Rádio/TV Mega Brasil Online y el boletín Direto da Redação. Edita el Anuário da Comunicação Corporativa y los especiales del Dia da Comunicação Empresarial. Organiza el Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, el Seminario Mega Brasil de Comunicación Interna y Relación con Empleados, y participa en la organización y producción del Prêmio Latino-americano de Excelência e Inovação em PR, el trofeo Jatobá PR. Mega Brasil Comunicação is a multi-platform company responsible for producing content for the Jornal da Comunicação Corporativa, Rádio/TV Mega Brasil Online, and the Direto da Redação newsletter. It publishes the Anuário da Comunicação Corporativa and the Dia da Comunicação Empresarial specials. It organizes the Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, the Mega Brasil Seminar on Internal Communication and Employee Relations, and participates in the organization and production of the Latin American Prize for Excellence and Innovation in PR, the Jatobá PR Trophy.
3 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde mental como um estado de bem-estar em que o indivíduo realiza suas próprias atividades, consegue ser produtivo e contribui para sua comunidade. No ambiente corporativo, refere-se ao estado psicológico, emocional e social de uma pessoa enquanto executa suas funções, podendo refletir no comportamento do colaborador e no ambiente de trabalho. No ambiente corporativo, a saúde mental manifesta-se diretamente nos indicadores de retenção, engajamento e cultura organizacional. Empresas que negligenciam essa infraestrutura psíquica enfrentam custos crescentes de turnover e presenteísmo, enquanto aquelas que a integram ao core business transformam vulnerabilidade em agilidade competitiva. Este é o novo paradigma da governança: entender que o sucesso dos negócios é indissociável da integridade mental de quem os constrói. Fortalecer esse elo não é mais uma escolha ética, mas um imperativo de sobrevivência e prosperidade na sociedade contemporânea. A saúde mental consolidou-se como o ativo intangível mais crítico da economia moderna. Longe de ser um conceito abstrato ou uma pauta de bem-estar periférica, ela é o elo invisível que determina a performance de indivíduos e a resiliência de organizações. No nível individual, o equilíbrio emocional é o motor da produtividade sustentável e da tomada de decisão estratégica; sem ele, o capital humano se exaure e a inovação estagna.
4 Pesquisas recentes sobre bem- -estar no trabalho, como as conduzidas por Jan-Emmanuel De Neve, professor da Universidade de Oxford, mostram que ambientes organizacionais saudáveis não apenas elevam indicadores subjetivos de felicidade, mas também se associam à maior produtividade, melhor desempenho sustentado e menor incidência de adoecimento mental. Nesse sentido, a neurocientista Carol Garrafa diz que a neurociência contemporânea, e os estudos em epigenética, demonstram que o ambiente influencia o comportamento humano de forma ainda mais poderosa do que a própria genética. Os contextos em que estamos inseridos modulam a expressão dos nossos genes, impactando padrões emocionais, cognitivos e comportamentais ao longo do tempo. “Quando falamos de ambientes de trabalho, esse efeito se intensifica: passamos grande parte da vida nesses contextos, que estão diretamente conectados à nossa motivação existencial, ao senso de utilidade e à forma como colocamos nossos talentos a serviço do mundo”, afirma a neurocientista. A Gerente Médica de Bem-estar e Saúde Mental do Hospital Israelita Albert Einstein, Dulce Pereira de Brito, observa que as empresas nunca devem perder de vista sua corresponsabilidade na proteção da saúde mental dos profissionais que empregam. “Se a organização realmente não chama para si a responsabilidade ética e leJan-Emmanuel De Neve Carol Garrafa
5 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 gal de cuidar da saúde das pessoas, ao invés de promover e proteger a saúde, ela vai ser um caldeirão de adoecimento de pessoas”, explica. De acordo com o Relatório Mundial de Saúde Mental, produzido pela Organização Mundial da Saúde, uma a oito pessoas, em todo o mundo, sofre de algum tipo de transtorno mental. O levantamento indica, também, que os transtornos mentais são a principal causa de incapacidade, representando 28% da carga global de doenças. Desse modo, os transtornos mentais custam à economia global trilhões de dólares por ano em termos de perda de produtividade, custos de tratamento e outros custos indiretos. Entre as causas que comprometem a saúde mental da sociedade produtiva, o ritmo de vida moderna, a competitividade no ambiente de trabalho e a pressão pelo sucesso, estão entre os principais fatores. A crise em números: o cenário brasileiro No Brasil, a situação não é diferente e, nesse sentido, o País enfrenta uma crise silenciosa, mas de proporções estatísticas alarmantes. Segundo dados consolidados do Ministério da Previdência Social e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Brasil encerrou o ano de 2025 com um recorde histórico: 546.254 benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) foram concedidos devido a transtornos mentais e comportamentais. Este número representa um crescimento de 15,6% em relação a 2024, que já havia registrado um salto expressivo de 67% sobre o ano anterior. O cenário atual revela que a saúde mental não é mais apenas uma pauta de bem-estar, mas um desafio crítico de saúde pública e produtividade econômica. Os dados da Previdência detalham, ainda, que a ansiedade e a depressão são as principais causas de afastamento superior a 15 dias: Outro dado relevante se refere ao impacto de gênero. As mulheres representaram 63,46% do total de afastamentos por motivos psicológicos em 2025. Especialistas do setor, e o próprio Ministério, apontam que a “tripla jornada” — que combina exigências profissionais, cuidados domésticos e gestão Dulce Pereira de Brito
6 familiar — é o principal catalisador dessa disparidade. Esse adoecimento pode ser exemplificado pelo aumento de casos diagnosticados de Burnout que, de acordo com a médica psiquiátrica especializada em estresse, Deborah Duwe, ocorre quando a pessoa está tão esgotada e doente, que pensa não aguentar mais, achando que quer morrer ou sumir. O principal do Burnout é uma pessoa que está no limite do adoecimento. Desde janeiro de 2025, o Brasil adotou plenamente a CID-11 da OMS - Organização Mundial da Saúde, que classifica o Burnout estritamente como um “fenômeno ocupacional”, facilitando o nexo causal entre a doença e o trabalho, o que elevou as notificações. De acordo com dados do INSS, os números de auxílios-doença concedidos especificamente sob o diagnóstico de Burnout e esgotamento profissional mostram uma curva de crescimento vertical: em 2021, foram 823 casos registrados; em 2024, 4.880 casos (um aumento de 493% em quatro anos), e em 2025, a tendência de aceleração continuou e apenas no primeiro semestre do ano passado, o Brasil já havia registrado mais de 3.400 afastamentos, indicando que o ano pode ter fechado próximo ou acima da marca de 6.000 registros oficiais. Segundo a ISMA-BR (International Stress Management Association), cerca de 30% a 32% dos brasileiros economicamente ativos sofrem da síndrome e o Brasil se mantém como o segundo país com mais casos de Burnout no mundo, atrás apenas do Japão. Quem entendeu o problema Mais do que entender o problema, buscar alternativas e soluções práticas reflete a humanização de uma gestão também comprometida com o negócio. Um exemplo é o caso do Grupo Sabin, que figura há anos no ranking “Great Place to Work (GPTW)” como uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil. A empresa tem buscado ampliar suas práticas e ações para, não só promover um ambiente de trabalho saudável e acolhedor, mas também contribuir para que seus funcionários possam viver com Deborah Duwe
7 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 maior qualidade de vida. Para tanto, acompanha e avalia as práticas de gestão de pessoas por meio de pesquisas independentes, aplicadas por institutos nacionais e internacionais, reconhecidos no mercado, como FIA/ UOL, Great Place to Work, entre outros. Na Aché Laboratórios Farmacêuticos, outro exemplo: o propósito é levar mais vida às pessoas, e isso começa com quem constrói a empresa todos os dias. Andreia Vitoriano, Diretora Executiva de Pessoas e Cultura, explica que a empresa possui diversas iniciativas para promover esse bem-estar, como por exemplo o “Programa Estar Bem Aché” que, por meio de um aplicativo de saúde, “incentiva hábitos saudáveis e facilita o acesso a informações e serviços, integrando as principais iniciativas de saúde e bem-estar, promovendo a saúde física, emocional e social, e reforçando valores como respeito, diversidade e apoio mútuo”, explica a executiva. Outra iniciativa, o “Programa Levemente”, oferece psicoterapia sem custo e sem limite de sessões, além de um ambulatório interno que garante atendimento médico ágil e qualificado. A farmacêutica dispõe, ainda, dos “Brigadistas da Mente”, um grupo de colaboradores capacitados para acolher, orientar e direcionar colegas em situações de sofrimento emocional aos canais adequados de atendimento, promovendo uma cultura de escuta, empatia e responsabilidade compartilhada. Outro benefício disponibilizado pela Aché aos seus funcionários, é o acesso à plataforma “Conexa Saúde”, ecossistema digital de saúde física e mental que oferece teleatendimento psicológico 100% gratuito, sem coparticipação, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. O benefício é extensivo tanto para colaboradores quanto para seus dependentes legais a partir de 10 anos. Dos consultórios para as salas de audiência Quando há o reconhecimento de doenças ocupacionais como Burnout, depressão, ansiedade ou Síndrome do Pânico, relacionadas à forma de organização do trabalho ou Andreia Vitoriano
8 à atuação da empresa, podem surgir consequências relevantes para a companhia, tanto jurídicas, quanto financeiras. Entre elas estão condenações por danos morais e materiais, estabilidade provisória, reintegração de trabalhadores, pagamento de pensões e custos elevados com acordos trabalhistas, como explica a advogada Patricia Barboza, sócia e Head da Área Trabalhista do escritório CGM Advogados. “Os riscos psicossociais no trabalho são uma variável que, sozinha, diz muito sobre a maneira como enxergamos a relação com o trabalho. É preciso identificar se há situações de conflito ou algo fugindo da normalidade que possa prejudicar o ambiente.”, afirma a advogada. O fato é que, com o agravamento da saúde mental dos trabalhadores e o aumento das notificações, o adoecimento mental transbordou dos consultórios médicos para as salas de audiência. Em 2025, o Tribunal Superior do Trabalho registrou 142.814 novos processos por assédio moral, um crescimento de 22,3% em relação ao ano anterior. Mais grave ainda é o cenário do assédio sexual, cujas ações cresceram 35% no último biênio. O perfil das vítimas de assédio sexual é nítido: 72,1% são mulheres, majoritariamente entre 18 e 39 anos. Esse dado expõe uma falha estrutural na proteção da força de trabalho feminina em sua fase de maior produtividade e ascensão. A resposta judiciária tem sido o “Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero”, que confere maior peso à palavra da vítima e exige que as empresas comprovem a existência de canais de denúncia eficazes e seguros. Estima-se que transtornos mentais consumam cerca de 6% da folha de pagamento das empresas brasileiras entre absenteísmo (faltas) e presenteísmo (baixa produtividade por doença), o que tem reflexo direto no faturamento, produtividade e competitividade de uma marca no mercado. Mas, além disso, as demandas trabalhistas nos casos de danos morais ou assédio sistêmico, traduzir-se em impacto financeiro direto às empresas, na medida em que indenizações advindas dessas ações trabalhistas tornaram-se “pedagógicas”, frequentemente variando entre R$ 50 mil e R$ Patricia Barboza
9 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 150 mil por caso individual, sem contar os custos de pensões vitais em casos de invalidez permanente, embora existam casos recentes de indenizações na casa dos milhões de reais. Em 2024/2025, por exemplo,houve registros de condenações contra empresas de tecnologia e bens de consumo onde o valor dito pedagógico, somado ao tratamento médico vitalício, ultrapassou os R$ 3 milhões. Tais cifras se tornaram possíveis em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal, na ADI 6082 (Ação Direta de Inconstitucionalidade), considerada um dos marcos jurídicos mais importantes para o Direito do Trabalho moderno, pois alterou drasticamente como as empresas calculam o risco financeiro de processos por danos morais. A Reforma Trabalhista de 2017 (Lei 13.467) introduziu o chamado “Tabelamento do Dano Moral” (Artigo 223-G da CLT), mecanismo que limitava o valor das indenizações de acordo com o salário do trabalhador. Porém, em junho de 2023, o STF decidiu que esse tabelamento era inconstitucional, levando ao entendimento de que não se pode dizer que a dor mental de um diretor (com salário alto) vale mais do que a de um operário (com salário baixo) diante de um mesmo evento traumático ou assédio; e que a lei não pode impedir o juiz de analisar as particularidades de cada caso. Se o dano for devastador, o juiz deve ter liberdade para fixar um valor que repare a vítima e puna o agressor. Desse modo, as decisões indenizatórias, deixaram de ser parametrizadas por um teto pré-estabelecido e passaram a se basear na capacidade financeira da empresa, e a extensão do dano, ou seja, se o assédio gerou uma incapacidade permanente, como uma depressão profunda ou Burnout irreversível. O fato é que o valor de uma indenização, hoje, não é apenas uma reparação à vítima, mas uma ferramenta de ESG e Compliance, pois condenações milionárias aparecem nos balanços financeiros e afastam investidores. “Nesse contexto, mais do que falar em perdas financeiras, é essencial compreender que investir em saúde mental significa criar condições para que os colaboradores estejam saudáveis, engajados e capazes de sustentar uma alta performance ao longo do tempo. Ambientes que promovem cuidado, escuta ativa e equilíbrio fortalecem o vínculo com as pessoas, ampliam o senso de pertencimento e contribuem para a construção de resultados consistentes para o negócio”, conta Andreia Vitoriano. A criação de ambientes psicologicamente seguros depende, fundamentalmente, do desenvolvimento de People Skills - competências comportamentais e sociais que permitem interagir e construir relacionamentos positivos com outras pessoas, explica a neurocientista Carol Garrafa. Segundo ela, tais competências são fundamentais para o sucesso pessoal e profissional, mas também para a adoção de decisões
10 estruturais conscientes por parte das organizações. “Do ponto de vista da neurociência, segurança psicológica existe quando o cérebro social não percebe ameaça nas interações e nos sistemas que organizam o trabalho, permitindo que as pessoas operem fora do modo de defesa”, complementa a cientista. NR-1: Mais do que uma pauta de bem-estar Para Patricia Barboza, esse cenário ganha ainda mais relevância diante da recente determinação normativa para o mapeamento e controle de riscos psicossociais com a NR-1 (Norma Regulamentadora Número 1, do Ministério do Trabalho e Emprego). Embora o texto base esteja em vigor desde 2022, houve uma atualização crítica em agosto de 2024 e novos reforços de fiscalização foram implementados neste ano. Desse modo, maio de 2026 é o prazo final dado para que médias e grandes empresas demonstrem a eficácia das medidas de controle de riscos mentais, e não apenas apresentem uma declaração assinada sobre isso. A partir de então, as empresas brasileiras terão que incluir a avaliação de riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). A profissional da área trabalhista explica que na prática, a principal mudança é que a saúde mental deixa de ser tratada apenas como uma pauta de bem-estar ou cultura organizacional e passa a integrar formalmente a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho em todo o País. Com a atualização da NR-1, riscos potenciais decorrentes de fatores como sobrecarga de trabalho, metas exageradas, assédio moral, falhas de comunicação, falta de autonomia e conflitos interpessoais precisam ser identificados, avaliados e tratados como riscos ocupacionais, com o mesmo rigor aplicado aos riscos físicos ou ergonômicos, por exemplo. “Isso vai exigir disciplina e novos processos por parte das organizações. E tem um ponto importante: não basta criar programas pontuais ou ações isoladas. A exigência é de um sistema contínuo de gestão, integrado à estratégia do negócio e sujeito à fiscalização do Ministério do Trabalho, inclusive com prioridade para setores mais sensíveis”, explica Patrícia. De acordo com Carol Garrafa, a atualização da NR-1 e a inclusão dos riscos psicossociais, traz avanços no reconhecimento de algo que a neurociência já demonstra há anos: fatores emocionais, relacionais e organizacionais impactam diretamente a produtividade porque afetam o funcionamento do cérebro no dia a dia do trabalho. Ao considerar os riscos psicossociais, a NR-1 não apenas amplia a proteção à saúde mental, mas também reforça uma visão estratégica de que cuidar do ambiente de trabalho é cuidar da capacidade produtiva, adaptativa e inovadora das pessoas e, consequentemente, dos resultados da organização.
11 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 Um longo caminho a percorrer Apesar de uma maior conscientização da sociedade e da NR-1 serem um bom começo, ainda há um longo caminho a percorrer. A psicanalista Deborah Duwe conta que o Burnout está muito associado a assédio moral, assédio sexual, à corrupção e às empresas que não cumprem leis. A médica atende pessoas de todas as áreas e observa que o Brasil é um país onde muitas multinacionais convivem com o problema e não se preocupam em adoecer os colaboradores. Por outro lado, com os avanços recentes existe uma conscientização maior sobre o tema saúde mental no ambiente corporativo que antes não recebia a devida atenção e era motivo de preconceito. Deborah conta que trabalha há 40 anos com o tema e observa que antes existia muito preconceito e era considerado um tabu. Hoje em dia, a profissional diz ver uma realidade oposta em que é difícil encontrar alguém que não faça terapia ou esteja medicado, há um grande incentivo às terapias. “Eu me formei em 1985, e já tinha formação em Psicanálise. Naquela época, realmente era muito complicado uma pessoa procurar atendimento. Hoje, é muito difícil alguém não falar que está em terapia ou que saúde mental é uma coisa importante – mas não que não seja, sempre acreditei muito nisso!”, conta Deborah. Com um olhar voltado à neurociência, Carol Garrafa explica que prestar atenção na saúde mental influencia diversos aspectos. “Funcionários com maior bem-estar são mais produtivos, porque conseguem sustentar foco e energia cognitiva ao longo do tempo; aprendem mais rápido, pois o cérebro em estado de segurança assimila e integra melhor novas informações, e entregam mais valor, já que conseguem acessar pensamento crítico, criatividade e inteligência relacional”, pondera. Embora os avanços recentes representem um passo importante para ampliar o debate e reduzir o estigma em torno da saúde mental no trabalho, a consolidação de ambientes corporativos mais saudáveis depende de mudanças estruturais contínuas. A tendência é que o tema ganhe cada vez mais centralidade nas estratégias corporativas, não apenas como uma questão de cuidado humano, mas também como fator diretamente ligado à produtividade, à inovação e à sustentabilidade dos negócios.
Aché: vencedor do Prêmio Eco 2025 da Amcham. A 1ª farmacêutica brasileira a atingir a neutralidade de carbono nas emissões diretas. Redução de 62% das emissões de carbono nos escopos 1 e 2. Categoria: processos - grandes empresas
13 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 La Organización Mundial de la Salud (OMS) define la salud mental como un estado de bienestar en el cual el individuo realiza sus propias actividades, es capaz de ser productivo y contribuye a su comunidad. En el entorno corporativo, se refiere al estado psicológico, emocional y social de una persona mientras ejerce sus funciones, lo que se refleja directamente en el comportamiento del colaborador y en el clima laboral. En el ámbito empresarial, la salud mental se manifiesta en los indicadores de retención, compromiso (engagement) y cultura organizacional. Las empresas que descuidan esta infraestructura psíquica enfrentan costos crecientes de rotación (turnover) y presentismo, mientras que aquellas que la integran al core business transforman la vulnerabilidad en agilidad competitiva. Este es el nuevo paradigma de la gobernanza: entender que el éxito de los negocios es indisociable de la integridad mental de quienes los construyen. Fortalecer este vínculo ya no es una elección ética, sino un imperativo de supervivencia y prosperidad en la sociedad contemporánea. La salud mental se ha consolidado como el activo intangible más crítico de la economía moderna. Lejos de ser un concepto abstracto o una agenda de bienestar periférica, es el vínculo invisible que determina el desempeño de los individuos y la resiliencia de las organizaciones. A nivel individual, el equilibrio emocional es el motor de la productividad sostenible y de la toma de decisiones estratégicas; sin él, el capital humano se agota y la innovación se estanca. El vínculo invisible entre personas y negocios Salud Mental
14 Investigaciones recientes sobre el bienestar en el trabajo, como las dirigidas por Jan-Emmanuel De Neve, profesor de la Universidad de Oxford, muestran que los entornos organizacionales saludables no solo elevan los indicadores subjetivos de felicidad, sino que también se asocian con una mayor productividad, un mejor desempeño sostenido y una menor incidencia de enfermedades mentales. En este sentido, la neurocientífica Carol Garrafa señala que la neurociencia contemporánea y los estudios en epigenética demuestran que el entorno influye en el comportamiento humano de forma aún más poderosa que la propia genética. Los contextos en los que estamos inmersos modulan la expresión de nuestros genes, impactando patrones emocionales, cognitivos y conductuales a lo largo del tiempo. “Cuando hablamos de entornos laborales, este efecto se intensifica: pasamos gran parte de la vida en estos contextos, que están directamente conectados con nuestra motivación existencial, el sentido de utilidad y la forma en que ponemos nuestros talentos al servicio del mundo”, afirma la experta. La Gerente Médica de Bienestar y Salud Mental del Hospital Israelita Albert Einstein, Dulce Pereira de Brito, observa que las empresas nunca deben perder de vista su corresponsabilidad en la protección de la salud mental de los profesionales que emplean. “Si la Jan-Emmanuel De Neve Dulce Pereira de Brito Carol Garrafa
15 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 organización realmente no asume la responsabilidad ética y legal de cuidar la salud de las personas, en lugar de promover y proteger la salud, se convertirá en un caldero de enfermedad”, explica. De acuerdo con el Informe Mundial sobre Salud Mental de la OMS, una de cada ocho personas en todo el mundo sufre algún tipo de trastorno mental. El estudio indica, además, que estos trastornos son la principal causa de discapacidad, representando el 28% de la carga global de enfermedades. De este modo, los trastornos mentales le cuestan a la economía global billones de dólares al año en términos de pérdida de productividad, costos de tratamiento y otros gastos indirectos. Entre las causas que comprometen la salud mental de la sociedad productiva, el ritmo de vida moderna, la competitividad laboral y la presión por el éxito figuran como los principales factores. La crisis en cifras: El escenario brasileño En Brasil, la situación no es distinta y el país enfrenta una crisis silenciosa de proporciones estadísticas alarmantes. Según datos del Ministerio de Seguridad Social y del Instituto Nacional del Seguro Social (INSS), Brasil cerró el año 2025 con un récord histórico: se concedieron 546.254 beneficios por incapacidad temporal debido a trastornos mentales y del comportamiento. Esta cifra representa un crecimiento del 15,6% respecto a 2024, que ya había registrado un salto del 67% sobre el año anterior. El escenario actual revela que la salud mental es ahora un desafío crítico de salud pública y productividad económica. Los datos detallan que la ansiedad y la depresión son las principales causas de bajas superiores a 15 días. Otro dato relevante es el impacto de género: las nujeres representaron el 63,46% del total de bajas por motivos psicológicos en 2025. Los especialistas apuntan que la “triple jornada” —que combina exigencias profesionales, cuidados domésticos y gestión familiar— es el principal catalizador de esta disparidad. Este fenómeno se ejemplifica con el aumento de casos diagnosticados de Burnout. Según la psiquiatra Deborah Duwe, especialista en estrés, el Burnout ocurre cuando la persona está tan agotada que siente que no puede más. Desde enero Deborah Duwe
16 de 2025, Brasil adoptó plenamente la CID-11 de la OMS, que clasifica el Burnout estrictamente como un “fenómeno ocupacional”, facilitando el nexo causal entre la enfermedad y el trabajo. Según el INSS, los casos registrados pasaron de 823 en 2021 a cerca de 6.000 proyectados para el cierre de 2025. Según la ISMABR, cerca del 30% de los brasileños económicamente activos sufren el síndrome, situando al país como el segundo con más casos en el mundo, solo por detrás de Japón. Quienes entendieron el problema Más que entender el problema, buscar alternativas refleja una gestión humanizada comprometida con el negocio. Ejemplos como el Grupo Sabin, referente en el ranking “Great Place to Work (GPTW)”, demuestran el valor de ampliar las prácticas para promover la calidad de vida mediante auditorías de gestión de personas. En Aché Laboratórios Farmacêuticos, la Directora Ejecutiva de Personas y Cultura, Andreia Vitoriano, explica que cuentan con iniciativas como el “Programa Estar Bem Aché”, que incentiva hábitos saludables mediante una plataforma digital. Otra iniciativa, el “Programa Levemente”, ofrece psicoterapia gratuita y sin límite de sesiones. Además, cuentan con los “Brigadistas de la Mente”, colaboradores capacitados para acoger y orientar a colegas en situaciones de sufrimiento emocional, promoviendo una cultura de escucha y empatía. De los consultorios a las salas de audiencia El reconocimiento de enfermedades ocupacionales tiene consecuencias jurídicas y financieras severas. Patricia Barboza, socia de CGM Advogados, advierte sobre los riesgos de condenas por daños morales, estabilidad provisional y altos costos en acuerdos. “Los riesgos psicosociales son una variable que dice mucho sobre cómo vemos la relación con el trabajo”, afirma. En 2025, el Tribunal Superior del Trabajo registró un crecimiento del 22,3% en procesos por acoso moral. El acoso sexual creció un 35% en el último bienio, afectando mayoritariamente a mujeres de entre 18 y 39 años. La respuesta Andreia Vitoriano
17 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 judicial ha sido el “Protocolo para Juzgamiento con Perspectiva de Género”, que exige canales de denuncia seguros y eficaces. Se estima que los trastornos mentales consumen cerca del 6% de la nómina de las empresas brasileñas entre absentismo y presentismo. Además, las indemnizaciones por daños morales han adquirido un carácter “pedagógico”, oscilando entre R$ 50.000 y R$ 150.000 por caso, aunque existen condenas recientes que superan los R$ 3 millones. Esto fue posible gracias a la decisión del Supremo Tribunal Federal (ADI 6082), que declaró inconstitucional el tope de las indemnizaciones basado en el salario del trabajador, permitiendo a los jueces fijar valores basados en la capacidad financiera de la empresa y la extensión del daño. NR-1: Más que una agenda de bienestar Para Patricia Barboza, este escenario cobra relevancia con la actualización de la NR-1 (Norma Reguladora 1). Mayo de 2026 es el plazo final para que las empresas demuestren la eficacia de sus medidas de control de riesgos mentales. La salud mental deja de ser un tema de “cultura” para integrarse formalmente a la gestión de Seguridad y Salud en el Trabajo (SST). Factores como la sobrecarga, metas excesivas y falta de autonomía ahora deben evaluarse con el mismo rigor que los riesgos físicos. Un largo camino por recorrer Aunque la concienciación crece, la psiconalista Deborah Duwe señala que aún queda mucho por hacer, especialmente en multinacionales que descuidan el bienestar. No obstante, celebra que el tabú esté desapareciendo: hoy es común hablar de terapia, algo impensable hace décadas. Carol Garrafa concluye que cuidar la salud mental influye en la capacidad cognitiva: empleados con bienestar aprenden más rápido y entregan más valor. La tendencia es que el tema sea central en la estrategia corporativa, no solo por humanidad, sino por sostenibilidad económica. Patricia Barboza
18 The World Health Organization (WHO) defines mental health as a state of well-being in which an individual realizes their own abilities, can cope with the normal stresses of life, work productively, and contribute to their community. In the corporate environment, it refers to the psychological, emotional, and social state of a person while performing their duties, directly impacting employee behavior and the workplace climate. In the business world, mental health manifests in retention indicators, engagement, and organizational culture. Companies that neglect this psychic infrastructure face rising costs from turnover and presenteeism, while those that integrate it into their core business transform vulnerability into competitive agility. This is the new paradigm of governance: understanding that business success is inseparable from the mental integrity of those who build it. Strengthening this link is no longer an ethical choice, but a survival and prosperity imperative in contemporary society. Recent research on workplace well-being, such as that led by JanEmmanuel De Neve, a professor at the University of Oxford, shows that healthy organizational environments not only elevate subjective happiness Mental health has established itself as the most critical intangible asset of the modern economy. Far from being an abstract concept or a peripheral wellness agenda, it is the invisible link that determines individual performance and organizational resilience. At the individual level, emotional balance is the engine of sustainable productivity and strategic decision-making; without it, human capital is depleted, and innovation stagnates. The invisible link between people and business Mental health
19 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 indicators but are also associated with higher productivity, better sustained performance, and a lower incidence of mental illness. In this sense, neuroscientist Carol Garrafa states that contemporary neuroscience and epigenetics demonstrate that the environment influences human behavior even more powerfully than genetics. The contexts in which we are immersed modulate the expression of our genes, impacting emotional, cognitive, and behavioral patterns over time. “When we talk about work environments, this effect intensifies: we spend a large part of our lives in these contexts, which are directly connected to our existential motivation, sense of utility, and how we put our talents at the service of the world,” she says. Dulce Pereira de Brito, Medical Manager of Wellbeing and Mental Health at Hospital Israelita Albert Einstein, observes that companies must never lose sight of their co-responsibility in protecting the mental health of the professionals they employ. “If the organization does not truly embrace the ethical and legal responsibility to care for people’s health, instead of promoting and protecting health, it will become a cauldron of illness,” she explains. According to the WHO World Mental Health Report, one in eight people worldwide suffers from some type of mental disorder. The survey also indicates that mental disorders are the leading cause of disability, representing 28% of the global disease burden. Jan-Emmanuel De Neve Dulce Pereira de Brito Carol Garrafa
20 Consequently, mental disorders cost the global economy trillions of dollars annually in lost productivity, treatment costs, and other indirect expenses. Among the causes compromising the mental health of the productive society, the pace of modern life, workplace competitiveness, and the pressure for success are among the main factors. The crisis in numbers: The brazilian scenario In Brazil, the situation is no different, and the country faces a silent crisis of alarming statistical proportions. According to consolidated data from the Ministry of Social Security and the National Social Security Institute (INSS), Brazil ended 2025 with a historic record: 546,254 temporary disability benefits were granted due to mental and behavioral disorders. This represents a 15.6% growth compared to 2024, which had already seen a 67% jump over the previous year. The current scenario reveals that mental health is no longer just a wellness agenda, but a critical public health and economic productivity challenge. Data further details that anxiety and depression are the main causes of absences exceeding 15 days. Another relevant data point refers to the gender impact: women represented 63.46% of the total absences for psychological reasons in 2025. Experts point out that the “triple burden”—combining professional demands, domestic care, and family management—is the main catalyst for this disparity. This illness is exemplified by the increase in diagnosed cases of Burnout, which, according to psychiatric physician Deborah Duwe, occurs when a person is so exhausted and ill that they feel they can no longer cope. Since January 2025, Brazil has fully adopted the WHO’s ICD-11, which classifies Burnout strictly as an “occupational phenomenon,” facilitating the causal link between the disease and work. According to INSS data, the number of sickness benefits specifically under the diagnosis of Burnout passed from 823 cases in 2021 to a projected mark near or above 6,000 for 2025. According to ISMA-BR, about 30% to 32% of economically active Brazilians suffer from the syndrome, and Brazil remains the second country with the most Burnout cases in the world, behind only Japan. Those who understood The problem Seeking practical alternatives reflects a humanized management Deborah Duwe
21 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 also committed to the business. An example is the Sabin Group, which has featured for years in the “Great Place to Work (GPTW)” ranking. The company monitors and evaluates its people management practices through independent surveys conducted by recognized institutes such as FIA/UOL and GPTW. At Aché Laboratórios Farmacêuticos, Andreia Vitoriano, Executive Director of People and Culture, explains that the company has several initiatives, such as the “Estar Bem Aché Program,” which encourages healthy habits via a health app. Another initiative, the “Levemente Program,” offers free psychotherapy with no session limit. Additionally, the “Mind Brigadiers” are a group of employees trained to welcome and guide colleagues in emotional distress to appropriate care channels, promoting a culture of empathy and shared responsibility. From clinics To courtrooms When occupational diseases like Burnout or depression are recognized as work-related, the consequences for the company can be significant, both legally and financially. These include damages, provisional stability, and high costs from labor settlements. “Psychosocial risks at work are a variable that says a lot about how we view the relationship with work,” says attorney Patricia Barboza, partner at CGM Advogados. In 2025, the Superior Labor Court recorded 142,814 new lawsuits for moral harassment, a 22.3% growth over the previous year. Even more severe is the scenario of sexual harassment, where lawsuits grew by 35% in the last biennium, with 72.1% of victims being women. The judicial response has been the “Protocol for Judgment with a Gender Perspective,” Andreia Vitoriano Patricia Barboza
22 which gives greater weight to the victim’s word and requires companies to prove the existence of safe and effective reporting channels. It is estimated that mental disorders consume about 6% of the payroll of Brazilian companies between absenteeism and presenteeism. Furthermore, labor claims for moral damages have become “pedagogical,” frequently ranging from R$ 50,000 to R$ 150,000 per individual case, with some recent cases exceeding R$ 3 million due to the Supreme Federal Court’s decision (ADI 6082), which declared the “capping” of moral damages unconstitutional. Now, judges have the freedom to set values based on the company’s financial capacity and the extent of the damage. NR-1: more than A wellness agenda For Patricia Barboza, this scenario gains even more relevance with the recent NR-1 (Regulatory Norm No. 1) update. May 2026 is the final deadline for medium and large companies to demonstrate the effectiveness of mental risk control measures. Mental health is no longer just a “culture” topic and is now formally part of Occupational Health and Safety (OHS) management nationwide. Factors like work overload, excessive targets, and lack of autonomy must now be treated with the same rigor as physical risks. A long way to go Despite increased awareness, there is still a long way to go. Psychoanalyst Deborah Duwe notes that Burnout is heavily associated with moral and sexual harassment and companies that fail to comply with laws. However, she observes a shift: “Today, it is difficult to find someone who doesn’t talk about therapy or that mental health is important.”Carol Garrafa concludes that employees with higher well-being are more productive because they can sustain focus and cognitive energy. The trend is for the topic to become increasingly central to corporate strategy, not just as a matter of human care, but as a factor directly linked to productivity, innovation, and business sustainability.
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