10 estruturais conscientes por parte das organizações. “Do ponto de vista da neurociência, segurança psicológica existe quando o cérebro social não percebe ameaça nas interações e nos sistemas que organizam o trabalho, permitindo que as pessoas operem fora do modo de defesa”, complementa a cientista. NR-1: Mais do que uma pauta de bem-estar Para Patricia Barboza, esse cenário ganha ainda mais relevância diante da recente determinação normativa para o mapeamento e controle de riscos psicossociais com a NR-1 (Norma Regulamentadora Número 1, do Ministério do Trabalho e Emprego). Embora o texto base esteja em vigor desde 2022, houve uma atualização crítica em agosto de 2024 e novos reforços de fiscalização foram implementados neste ano. Desse modo, maio de 2026 é o prazo final dado para que médias e grandes empresas demonstrem a eficácia das medidas de controle de riscos mentais, e não apenas apresentem uma declaração assinada sobre isso. A partir de então, as empresas brasileiras terão que incluir a avaliação de riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). A profissional da área trabalhista explica que na prática, a principal mudança é que a saúde mental deixa de ser tratada apenas como uma pauta de bem-estar ou cultura organizacional e passa a integrar formalmente a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho em todo o País. Com a atualização da NR-1, riscos potenciais decorrentes de fatores como sobrecarga de trabalho, metas exageradas, assédio moral, falhas de comunicação, falta de autonomia e conflitos interpessoais precisam ser identificados, avaliados e tratados como riscos ocupacionais, com o mesmo rigor aplicado aos riscos físicos ou ergonômicos, por exemplo. “Isso vai exigir disciplina e novos processos por parte das organizações. E tem um ponto importante: não basta criar programas pontuais ou ações isoladas. A exigência é de um sistema contínuo de gestão, integrado à estratégia do negócio e sujeito à fiscalização do Ministério do Trabalho, inclusive com prioridade para setores mais sensíveis”, explica Patrícia. De acordo com Carol Garrafa, a atualização da NR-1 e a inclusão dos riscos psicossociais, traz avanços no reconhecimento de algo que a neurociência já demonstra há anos: fatores emocionais, relacionais e organizacionais impactam diretamente a produtividade porque afetam o funcionamento do cérebro no dia a dia do trabalho. Ao considerar os riscos psicossociais, a NR-1 não apenas amplia a proteção à saúde mental, mas também reforça uma visão estratégica de que cuidar do ambiente de trabalho é cuidar da capacidade produtiva, adaptativa e inovadora das pessoas e, consequentemente, dos resultados da organização.
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