Matéria de Capa - 03

8 à atuação da empresa, podem surgir consequências relevantes para a companhia, tanto jurídicas, quanto financeiras. Entre elas estão condenações por danos morais e materiais, estabilidade provisória, reintegração de trabalhadores, pagamento de pensões e custos elevados com acordos trabalhistas, como explica a advogada Patricia Barboza, sócia e Head da Área Trabalhista do escritório CGM Advogados. “Os riscos psicossociais no trabalho são uma variável que, sozinha, diz muito sobre a maneira como enxergamos a relação com o trabalho. É preciso identificar se há situações de conflito ou algo fugindo da normalidade que possa prejudicar o ambiente.”, afirma a advogada. O fato é que, com o agravamento da saúde mental dos trabalhadores e o aumento das notificações, o adoecimento mental transbordou dos consultórios médicos para as salas de audiência. Em 2025, o Tribunal Superior do Trabalho registrou 142.814 novos processos por assédio moral, um crescimento de 22,3% em relação ao ano anterior. Mais grave ainda é o cenário do assédio sexual, cujas ações cresceram 35% no último biênio. O perfil das vítimas de assédio sexual é nítido: 72,1% são mulheres, majoritariamente entre 18 e 39 anos. Esse dado expõe uma falha estrutural na proteção da força de trabalho feminina em sua fase de maior produtividade e ascensão. A resposta judiciária tem sido o “Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero”, que confere maior peso à palavra da vítima e exige que as empresas comprovem a existência de canais de denúncia eficazes e seguros. Estima-se que transtornos mentais consumam cerca de 6% da folha de pagamento das empresas brasileiras entre absenteísmo (faltas) e presenteísmo (baixa produtividade por doença), o que tem reflexo direto no faturamento, produtividade e competitividade de uma marca no mercado. Mas, além disso, as demandas trabalhistas nos casos de danos morais ou assédio sistêmico, traduzir-se em impacto financeiro direto às empresas, na medida em que indenizações advindas dessas ações trabalhistas tornaram-se “pedagógicas”, frequentemente variando entre R$ 50 mil e R$ Patricia Barboza

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