11 MATÉRIA DE CAPA | # 03 Abril Abril | April 2026 Um longo caminho a percorrer Apesar de uma maior conscientização da sociedade e da NR-1 serem um bom começo, ainda há um longo caminho a percorrer. A psicanalista Deborah Duwe conta que o Burnout está muito associado a assédio moral, assédio sexual, à corrupção e às empresas que não cumprem leis. A médica atende pessoas de todas as áreas e observa que o Brasil é um país onde muitas multinacionais convivem com o problema e não se preocupam em adoecer os colaboradores. Por outro lado, com os avanços recentes existe uma conscientização maior sobre o tema saúde mental no ambiente corporativo que antes não recebia a devida atenção e era motivo de preconceito. Deborah conta que trabalha há 40 anos com o tema e observa que antes existia muito preconceito e era considerado um tabu. Hoje em dia, a profissional diz ver uma realidade oposta em que é difícil encontrar alguém que não faça terapia ou esteja medicado, há um grande incentivo às terapias. “Eu me formei em 1985, e já tinha formação em Psicanálise. Naquela época, realmente era muito complicado uma pessoa procurar atendimento. Hoje, é muito difícil alguém não falar que está em terapia ou que saúde mental é uma coisa importante – mas não que não seja, sempre acreditei muito nisso!”, conta Deborah. Com um olhar voltado à neurociência, Carol Garrafa explica que prestar atenção na saúde mental influencia diversos aspectos. “Funcionários com maior bem-estar são mais produtivos, porque conseguem sustentar foco e energia cognitiva ao longo do tempo; aprendem mais rápido, pois o cérebro em estado de segurança assimila e integra melhor novas informações, e entregam mais valor, já que conseguem acessar pensamento crítico, criatividade e inteligência relacional”, pondera. Embora os avanços recentes representem um passo importante para ampliar o debate e reduzir o estigma em torno da saúde mental no trabalho, a consolidação de ambientes corporativos mais saudáveis depende de mudanças estruturais contínuas. A tendência é que o tema ganhe cada vez mais centralidade nas estratégias corporativas, não apenas como uma questão de cuidado humano, mas também como fator diretamente ligado à produtividade, à inovação e à sustentabilidade dos negócios.
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