Revista Locação 128

35 Não seria novidade. As locadoras já funcionam como laboratório silencioso de motorização, equipamentos, manutenção, liquidez no seminovo e comportamento real de uso. A grande mudança estaria no conceito de GTF. A terceirização deixaria de significar apenas administrar determinada quantidade de veículos e passaria a representar gestão de mobilidade. O cliente não contrataria necessariamente “100 carros por 36 meses”, mas contrataria a capacidade de deslocamento e num mesmo contrato poderiam conviver automóveis, comerciais leves, motocicletas, veículos temporários, transporte compartilhado, créditos para aplicativos e soluções específicas por operação. A cobrança provavelmente também mudará. Parte dos contratos permaneceria mensal, pela previsibilidade, mas outros modelos poderiam considerar quilometragem, disponibilidade, cobrança por horas de uso, produtividade ou uma combinação destes fatores. O veículo deixaria de ser o centro isolado da relação comercial para integrar uma solução maior. Entretanto estas mudanças dependerão fundamentalmente da integração e uso de dados. As locadoras precisarão integrar seus sistemas aos dos clientes, acompanhando rotas, jornadas, consumo, recarga, manutenção, ociosidade e disponibilidade. Algoritmos poderão recomendar redução de frota, substituição de veículos, redistribuição entre filiais ou alteração do perfil de uso. O ganho não virá apenas de alugar mais, mas de operar melhor. No RAC (rent a car), a transformação também será relevante. Nas grandes cidades, a jornada tenderá a se tornar quase totalmente digital, com reconhecimento documental, biometria, chaves virtuais e inspeção automatizada. O cliente poderá encontrar o veículo em aeroportos, estacionamentos, condomínios, hotéis e outros pontos distribuídos pela cidade. Isto não significa o fim da estrutura física. A agência tradicional poderá perder centralidade para o cliente, mas continuará essencial para limpeza, manutenção, recarga, vistoria, preparação e remanejamento. Muda a vitrine; a operação continua exigindo chão, gente, processo e capital. Eletrificados podem representar entre 25% e 40% da frota leve das locadoras até 2030, desde que a conta financeira feche

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