34 FIM DE PAPO Em breve, as locadoras deixarão de ser vistas apenas como empresas que compram, alugam e vendem veículos. Num desenho mais disruptivo, passarão a atuar como verdadeiras plataformas de mobilidade. É um cenário possível e poderoso, mas também pouco provável de acontecer de forma ampla e homogênea no Brasil nos próximos anos. Para que isso ocorra, muita coisa precisa avançar ao mesmo tempo: queda dos juros, digitalização completa da jornada, eletrificação competitiva, integração de dados, expansão da terceirização de frotas, novos modelos de assinatura, maior pressão ambiental e fabricantes capazes de reduzir preços sem destruir valor residual. É muita coisa, especialmente num país em que alterações de infraestrutura com investimento público de baixa monta demoram. O setor automobilístico gosta de falar em revolução, mas costuma evoluir por camadas, com resistência, adaptação e muitos remendos pelo caminho. O mercado de locadoras no Brasil é enorme e ainda possui potencial de crescimento. Segundo o Anuário ABLA 2026, o setor encerrou 2025 com 1.717.848 automóveis e comerciais leves e emplacou 628.970 unidades. Em janeiro de 2026, entre mais de 37 mil empresas, 54% da frota estava no GTF, incluindo terceirização e assinatura, e 46% no rent a car. O investimento anual em veículos chegou a R$ 79 bilhões e o faturamento bruto superou R$ 61 bilhões. A renovação também reduziu a idade média da frota de 17,5 para 16,4 meses. O potencial permanece elevado. Segundo estimativa divulgada pela ABLA, entre 20% e 25% das empresas privadas brasileiras utilizam frotas terceirizadas, enquanto em mercados mais maduros da Europa e dos Estados Unidos a participação estimada estaria entre 55% e 70%. Num cenário acelerado, a frota leve das locadoras poderia alcançar entre 2,40 milhões e 2,75 milhões de unidades em 2030, com crescimento médio anual entre 7% e 10%. A participação nos emplacamentos também poderia aumentar, especialmente se as fabricantes utilizarem o setor como canal de introdução de novas tecnologias. A LOCADORA DO AMANHÃ Por Milad Kalume Neto*
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